Jornalismo Político – história e renovação

Jornalismo Político – história e renovação

Faz exatos 20 anos que entrei para trabalhar pela primeira vez numa redação de jornal impresso. E de lá pra cá, muita coisa mudou. Desde as ferramentas para cobertura até o perfil dos jornalistas. Do ambiente político e econômico até a forma de manifestação ideológica da população.

Naquele momento, o Brasil se adaptava a sua nova fase democrática, pós impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Na redação, a editoria de política era identificada facilmente pelas cabeças brancas e rapazes de cabelos desgrenhados e muitos de barba. A imagem mesclava experiência e ideologia. Ali estavam os jornalistas mais experientes e articulados do jornal.

Duas décadas depois, é possível encontrar pessoas bem mais jovens e variedade maior de meios para acompanhar o noticiário político. A principal responsável pela transformação nessa cobertura, sem dúvida, foi a internet, que mudou o perfil do público e também de mídia.

Ter boas fontes e conhecimento histórico para correlacionar os fatos continuam sendo cruciais para ser um repórter de política, mas isso não basta. É preciso estar conectado. É necessário monitorar as redes sociais e seguir as principais autoridades da sua área de atuação, preferencialmente recebendo alertas das postagens que elas fazem.

Muitas das pautas, hoje, surgem nas redes. Se antes, um político fazia uma provocação ao adversário e a resposta só surgiria no dia seguinte, após a publicação do jornal, agora é tudo praticamente imediato. Ação e reação. Explicações e desmentidos.

A mera manifestação de alguma autoridade no Twitter, por exemplo, às vezes vira uma crise de governo ou expõe um rompimento político que vem a galope. E o jornalista já tem de avançar para a repercussão do caso, com a possibilidade, inclusive, de verificar como foi a primeira reação da população por meio das redes sociais.

Mas, se por um lado a internet ampliou a discussão e debate das pautas políticas do dia com assuntos que muitas vezes nem terão espaço nos veículos tradicionais, por outro, virou um ambiente fértil para propagação de mentiras, calúnias ou mero bate-boca. Consequentemente, isso exige do jornalista político maior capacidade para filtrar o que é informação de fato.

Cobra também equilíbrio para que não entre na pilha das provocações que certamente receberá ao fazer alguma pauta que desagrade militantes de partido, A, B ou C. Jornalista sério não é militante político, é uma pessoa que busca a notícia, independentemente de que lado partidário ela esteja.

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Roseann Kennedy é jornalista, colunista política da CBN e pós-graduada em Ciência Política e Economia. Recebeu o Prêmio Troféu Mulher Imprensa, na categoria Melhor Repórter de Rádio, em 2008, e foi finalista do Prêmio Engenho de Comunicação, em 2012, na categoria Melhor Coluna Política de Brasília.

Twitter: @roseannkennedy

Artigo elaborado exclusivamente para o Cobertura.

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